sexta-feira, novembro 25, 2005
A Inês e o Sol
- João! João!
- Sim.
- Chega aqui. Estás a ver aquela ali?
- Quem? A João?
- Não. Ao lado da João.
- Ah! Estou a ver. Sim. O que é que tem?
- Chama-se Inês. Andei com ela um tempo. Chegámos a ir de férias juntos. Uma vez fizemos uma viagem ao Nepal, Tibete. Aquela zona ali. Então, estávamos nós numa daquelas aldeias típicas de lá, tipo armados em turistas quando, ao longe avistamos uma miúda. Devia ter mais ou menos uns quinze ou dezasseis anos. Ela vem em direcção a nós e, quando chega, faz um gesto tipo militar. Com a mão direita põe assim, na testa, tipo continência militar e com a esquerda mete na face esquerda, de lado, assim, como se fosse uma continência vertical. A Inês, assim que vê a miúda fazer aquele gesto interpretou-o como se fosse um cumprimento local e, sem demoras, retribuiu-o. E depois perguntou. Em inglês - lá, quase ninguém fala inglês mas, as pessoas mais novas e os que lidam com turistas, desenrascam-se - :
- Isso é algum cumprimento local?
E a moça respondeu.
- Não. É porque estou contra o Sol e, para vos conseguir ver, tenho que fazer sombra nos olhos.
- Desmanchei-me a rir.
