segunda-feira, novembro 21, 2005
Carros e mulheres
Um dia, uma criança de cinco anos, acompanhada por Churchill, fazia uma visita ao Parlamento britânico. O ex primeiro-ministro inglês explicava-lhe como funcionava a Câmara.
"Aqui deste lado sentamo-nos nós" - dizia Churchill
"Então e ali em frente? Sentam-se os inimigos?" - perguntou o miúdo
"Não - continuou Churchill - ali em frente sentam-se os adversários. Os inimigos também se sentam aqui".
Traição. Definitivamente, um dos mais terríveis defeitos humanos. Ainda assim, fisiológico. Ou seja, muitas vezes, não o conseguimos evitar. Faz parte da nossa - miserável - condição humana. Traímos os outros. Traímo-nos a nós próprios. Nós somos os nossos piores inimigos.
Existe o ditado popular, ainda que machista, "nunca emprestes nem o carro nem a mulher". Na minha meninice, lembro-me, só se emprestava a mota (não havia carro) a pessoas que eram de facto nossas amigas. E mesmo assim não era sempre. Tínhamos muito cuidado. A mota era também um objecto de culto e, emprestá-la sem pudor, era traição.
Outro dia, de passagem, vi um daqueles papéis, que já devem ter visto, "procuro novo dono". Esse papel estava colado na janela de um carro - e pensar que esse carro já foi considerado não emprestável! Assim como a mulher!
Ao lado desse carro, abandonado, praticamente sem dono, estava uma roulote. Vigorosa, esbanjava saúde, vendia cachorros e bifanas. Até tinha um patrocínio e tudo. Nem quero pensar quando essa roulote for também abandonada. Trocada. O dono não se irá lembrar que agora ganha a vida com ela. Traição.
E depois admiram-se que haja divórcios. Amigos, a traição começa pelo carro. O princípio é o mesmo. "Os inimigos sentam-se aqui".
"Aqui deste lado sentamo-nos nós" - dizia Churchill
"Então e ali em frente? Sentam-se os inimigos?" - perguntou o miúdo
"Não - continuou Churchill - ali em frente sentam-se os adversários. Os inimigos também se sentam aqui".
Traição. Definitivamente, um dos mais terríveis defeitos humanos. Ainda assim, fisiológico. Ou seja, muitas vezes, não o conseguimos evitar. Faz parte da nossa - miserável - condição humana. Traímos os outros. Traímo-nos a nós próprios. Nós somos os nossos piores inimigos.
Existe o ditado popular, ainda que machista, "nunca emprestes nem o carro nem a mulher". Na minha meninice, lembro-me, só se emprestava a mota (não havia carro) a pessoas que eram de facto nossas amigas. E mesmo assim não era sempre. Tínhamos muito cuidado. A mota era também um objecto de culto e, emprestá-la sem pudor, era traição.
Outro dia, de passagem, vi um daqueles papéis, que já devem ter visto, "procuro novo dono". Esse papel estava colado na janela de um carro - e pensar que esse carro já foi considerado não emprestável! Assim como a mulher!
Ao lado desse carro, abandonado, praticamente sem dono, estava uma roulote. Vigorosa, esbanjava saúde, vendia cachorros e bifanas. Até tinha um patrocínio e tudo. Nem quero pensar quando essa roulote for também abandonada. Trocada. O dono não se irá lembrar que agora ganha a vida com ela. Traição.
E depois admiram-se que haja divórcios. Amigos, a traição começa pelo carro. O princípio é o mesmo. "Os inimigos sentam-se aqui".
Comments:
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Eia!! Com esta teoria, não posso concordar. Não se aplica às mulheres... as mulheres estão a borrifar-se para os carros e motas. "F***, é claro que te empresto o carro. E, se o espatifares... azar... arranjo outro bem mais giro... azul cueca ou amarelo canário para fazer pendant com a minha roupa!" E, não me parece que haja outro substituto semelhante... as mulheres emprestam tudo: saias, calças, camisolas, lingerie, malas e mesmo batons.
Claro que o mesmo não se aplica a "emprestar" pessoas... muito menos namorados ou maridos - "É meu. É todo meu. É meu até ao fim."
Quanto aos inimigos... nãaaa... esses não estão, de todo, do meu lado. Podiam ter estado mas já não estão!
Claro que o mesmo não se aplica a "emprestar" pessoas... muito menos namorados ou maridos - "É meu. É todo meu. É meu até ao fim."
Quanto aos inimigos... nãaaa... esses não estão, de todo, do meu lado. Podiam ter estado mas já não estão!
Geni e o Zepelim
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Chico Buarque/1977-1978
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Chico Buarque/1977-1978
Bem... k texto... Podemos trocar de muita coisa na vida ( maridos/namorados/roupas/carros... enfim!! ) Mas p mim existem 2 coisas k nunca se trocam: A familia e os Verdadeiros Amigos...
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