terça-feira, novembro 29, 2005
Amizade, Amor
Um senhor por quem passo todos os dias, de estatura mais ou menos normal, talvez um pouco mais baixo que o normal, com, mais ou menos, cinquenta anos, nem muito gordo nem muito magro, exceptuando de perfil onde, sem ser preciso reparar com muito atenção, apresenta uma barriga capaz de fazer inveja a uns seis ou sete pares de gémeos é, supostamente, simpático. Digo supostamente porque comigo não foi, não é.
No início da nossa relação, passando por ele diariamente, cumprimentava-o sempre - de resto, como faço com todos - e nunca obtinha resposta. Continuei a cumprimentá-lo. É certo que nem sempre de forma muito evidente, mas nada. Ele nem bom dia nem boa tarde. Comecei a ficar irritado e deixei de lhe dizer sequer bom dia. Acontece com todos.
Falando desta situação com algumas pessoas, foram-me dizendo que não o achavam nada antipático. Dizia sempre bom dia ou boa tarde enfim, cumprimentava sempre toda a gente.
-"Isso é impressão tua. Ele a mim diz-me sempre alguma coisa".
Depois de me terem dito isto, apeteceu-me recomeçar de novo. Disse a mim mesmo. "Ok, a partir de amanhã vou, novamente, começar a cumprimentá-lo".
Não consegui. Não consigo.
Quando eu e minha mulher casámos, tivemos de escolher as leituras para a cerimónia religiosa. Lembro-me que escolhemos uma leitura muito bonita de S. Paulo que dizia: "o amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de incoveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento".
Lembro-me também que já tínhamos encontrado o mesmo texto, exactamente igual, em que a palavra Amor era substituída por Amizade. Na altura, comentámos com o padre, e ele disse-nos que, em S. Paulo Amizade quer dizer Amor. Achei alguma graça à justificação mas, melhor ainda, pensei em como seria bom ter alguém, ou mesmo tanta gente como é o número de padres que existe, para justificar as nossas palavras, intepretá-las conforme melhor servissem.
Há, desde o início, um mal entendido entre mim e o senhor de barriga grande. E eu não o consigo mudar. Falta-me coragem. Nestas situações devia de haver sempre uma espécie de reset. Apagava-se o que tinha havido até então e partíamos de um novo sítio. Ou então alguém que se justificasse por nós, que explicasse o que tinha acontecido, como uma espécie de nova introdução. "Meus senhores, passou-se isto assim-assim e, a partir de agora nada disso conta. Vão começar tudo do início e esquecer o que se passou." Ou então como com S. Paulo - "Ah, ele não quis dizer isso. O que ele quis dizer era que..."
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Meus amigos, caros leitores deste humilde blog.
Aproveito para anunciar que este foi o meu último post. Não quer dizer que o blog tenha acabado, eu próprio posso voltar a publicar alguma coisa neste espaço mas, não com a assiduidade habitual.
Se quiserem escrever/publicar alguma coisa:
email: paulosoledade@clix.pt
assunto: blog
Muito obrigadinho sou eu,
Paulo
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Não!!!!!!
Não me abandones na blogosfera!!!!
Volta!
Tas perdoado...
Pronto...
Mais um que sucumbiu ao DVD...
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