.comment-link {margin-left:.6em;}

sexta-feira, novembro 11, 2005

 

Alter Ego

Olho para a minha direita. O Telmo. Para a esquerda, a Filipa. Está um mulherão. O Tó, o Rogério, a Inês, o David, a João, o Roberto, a Catarina, o Gonçalo. O Gonçalo está mais gordo. Pudera. Casou. Pelo menos parece feliz. Bem disposto. Aposto que consigo adivinhar o que ele está para ali a dizer:
"Não sei se já contei esta história. Corria o ano de 1987. A equipa de futebol de iniciados da União Desportiva de Caranguejeira estava preparada para o grande embate com a sua grande rival do Leiria e Marrazes. O último classificado iria jogar contra o primeiro. O Leiria e Marrazes tinha, até então, oito jogos oito vitórias. Trinta golos marcados, três sofridos. A UDC tinha, até então, oito jogos, oito derrotas. Seis golos marcados, quarenta e seis sofridos. Os melhores ataque e defesa da prova, defrontavam os piores ataque e defesa do campeonato.
O dia estava solarengo, nem calor nem frio, um céu azul de cortar o fôlego. O balneário da UDC estava confiante. O grande marcador da equipa, com cinco golos, estava de volta depois de um afastamento forçado. Era a esperança da equipa. Nome de guerra, varola.
- Lembras-te. Chamavamos-lhe o varola porque tinha um e oitenta com treze anos - deve estar agora a dizer o Roberto, antigo central da equipa.
As equipas estavam perfiladas no círculo central do terreno. Continuava o Gonçalo.
O nosso capitão, junto do árbrito e do capitão da equipa adversária, sorria enquanto, calmamente, cumprimentava os adversários. Na mão esquerda segurava uma medalha de Nossa Senhora de Fátima. Na mão direita o galhardete da UDC.
O árbito apitou. Começava o jogo.
Setenta e sete minutos de jogo. Marcador: 7 - 0. A UDC estava, novamente, a ser goleada. O treinador, a quem todos chamavam mister Rosário, apontou para o banco de suplentes e chamou-o. A grande esperança do Caranguejeira. Ele.
O Telmo mete a bola por alto, ele mata no peito e pisa a bola, encostando-se, de costas, ao defesa contrário. Finge rodar para a esquerda, roda para a direita empurrando a bola e, com os três dedos de fora do pé direito, remata em arco, fazendo o mais belo golo da história da UDC. Final do jogo. Leiria e Marrazes 7. União Desportiva da Caranguejeira 1.
Para lá do jogo e do resultado sobrou o mito. O número 16 da UDC. O Maradona do Mediterrâneo. O Eusébio do Sporting. Era ele. O Bolinha 16."

Comments:
I have a dream... realmente Ele sem itálico... um pouco bold... mas o importante é sublinhar o golo... e que golo... juro que estava na outra baliza... mas ainda que longe... não me esqueço do estádio de pé a aplaudir.
 
Melhor é impossível!
Há golos que vale a pena marcar, nem que seja uma só vez na vida. "Há quem..." Ah pois é! "Há quem..."
 
Enviar um comentário



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?